os corredores brancos infinitos sempre dobram para algum lugar com ainda mais quartos igualmente brancos, podendo estar vazios ou acalentando alguém adoecido pela vida. passar entre aquelas portas discretas com números progressivos quase escondidos chega a ser sufocante, sons de máquinas acompanham todos que atravessam o vazio de corredores hospitalares. é diferente de estar na sala de espera.
as cadeiras duras, frias. os cubículos recheados de almas vivas esperando para serem chamadas enquanto alguma doença assola seus dias, são carregados de uma ansiedade tão sufocante quanto precisar cruzar os leitos até chegar no seu. ainda não sei o que me fez ir lá, exceto que minha vó estava naquele lugar.
talvez nem eu e nem ela devêssemos estar encarando paredes vazias. para além do silêncio abastecido pelo som do oxigênio passando, as bipagens constantes, estavam as nossas conversas baixas e risadas. eu chegava com docinhos contrabandeados e palavras cruzadas na bolsa quando saia da aula, se tornou rotina passar naquela pequena mercearia na esquina antes de entrar no hospital.
eu sentava naquela poltrona nada confortável, da mesma cor que todos os outros leitos. abria um chocolate que se destacava com seus tons alegres e vivos, dividia pedaços com a minha vó e começava mais uma palavra cruzada, buscando respostas nas memórias antigas que eu compartilhava com ela.
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