tanto tempo longe, cheguei a me esquecer a sensação de digitar desesperadamente na frente de uma tela branca, vomitando tantos sentimentos um atrás do outro. fiquei afastada por decisão própria, desgosto do teclado no celular, do fato de precisar escrever em posições desastrosas, sem uma noção do que estou fazendo ao certo, não conseguir preparar um texto diretamente, do prazer de usar os dedos como se usavam na maquina de escrever (rezo para usar a minha outra vez, quando eu tiver os papéis adequados), toda a construção é diferente de um ambiente para o outro, ainda mais na situação em que eu me encontrava, longe da minha cama e meus cd's. criei todo um ritual pessoal para fazer essas palavras fazerem sentido, rebobinar isso para tomar outros rumos bagunçou meu cérebro, eu não sabia como me portar.
enfim, ficar desde outubro completamente afastada foi realmente uma decisão. muitas coisas ocorreram e eu tomei algumas decisões de um dia para o outro que trazem consequências engraçadas para tudo o que planejei no começo do ano para as minhas coisas. é até enfadonho encostar nesse blog (e no meu listography) com a cabeça tão mudada assim, parece que costurei os pedaços que estavam rasgados, ou pendurados aos remendos mal-feitos. me encontrar com o passado foi como olhar para um bebê engatinhando e as ideias que eu tinha quanto os meus projetos tomaram rumos completamente opostos ao que eu pensava. não sei com precisão onde essa virada de chave aconteceu, não posso narrar certinho os dias e linhas que tomei para concluir tudo, mas sei mais ou menos.
cada decisão foi, basicamente, feita de uma hora para outra influênciada por pensamentos anteriores que atropelavam os novos e assim por diante, no fim a minha mente parecia uma corrida maluca para ver quem ganhava o troféu, sendo esse a honra de ser o começo de algo. para ser sincera, nada do que estou falando agora faz sentido, o que estou querendo dizer é... foi uma explosão. deixaram uma bomba no meu colo com um papel pregado dizendo "decida-se agora" e eu tive que fazer isso, de qualquer forma isso iria explodir, mas preferi eu mesma ser a causa.
até certo ponto, fazer cinco provas me fizeram um bem danado. elas foram as principais responsáveis para que eu enlouquece, em algum momento eu pensei que aquela seria a minha morte e eu precisaria voltar apenas para decretar a minha falência repentina. perdi cabelo o suficiente para chegar perto de ficar careca, também perdi peso e ganhei ao mesmo tempo (um belo efeito sânfona, eu não sabia se me privava ou me esbaldava), sem contar todas as coisas que descartei pelo vaso numa descarga significativa e sem volta, não há chance alguma desse vaso entupir e meu banheiro inundar, tudo se foi. então, com todos esses sentimentos presos na garganta eu não tinha noção alguma do que me aguardava e nada era previsivel, o que eu costumava pensar e decidir, eu fiz o exato contrário e não me arrependo.
sei que no título está escrito sobre ishtar como um foco principal, mas até eu chegar nesse assunto vai mais uns dois parágrafos até eu conseguir contextualizar, ainda mais porque a decisão de eu retormar essa deusa como um tópico importante requer uma explicação quanto as outras decisões, por isso me tornei redundante demais nesse começo meio confuso. tantas coisas me aconteceram em pouco tempo, não sei nem por onde começar. não tem começo, nem meio e nem fim, porque tudo ainda está acontecendo. enfim, o que me fez mudar a rota foi o tempo que passei em são josé do rio preto, eu entendi as coisas de formas que eu não costumava entender antes, muito pelo fato de eu estar sempre sufocada e de uma hora para outra eu pude respirar de verdade, foi aí que eu comecei a me entender e realmente curar algumas feridas que nunca terminavam de cicatrizar. tropecei ainda algumas vezes no começo até entender o ritmo novo, apesar da lentidão dos dias, minha cabeça estava trabalhando constante, colocar os pés naquela cidade ajudou inteiramente a minha reconstrução pessoal.
comecei a entender minhas necessidade, o que eu queria e procurava. os limites que precisavam ser estabelecidos eu soube delimitar perfeitamente e é interessante ver como as coisas estão reagindo, eu tinha muito medo de me mostrar na cena campo grandense, eu era apavorada de fazer as coisas e até mesmo sair de casa em campo grande me nascia um pânico sem razão alguma. eu não sentia o amor pela cena que eu senti quando tinha 17 anos há muito tempo, nem mesmo se parecia com um lar como era de costume... em contrapartida, estar de novo nos rolês rio pretenses foi como entrar em casa de novo depois de muito tempo, eu senti a mesma paixão, a mesma vontade de fazer parte de algo, agir de novo e entrar de cabeça num movimento. o carinho das pessoas pela cena atingiu em cheio meu coração, a serotonina que eu precisava receber estava toda concentrada ali. talvez tenha sido mais ou menos por aí que eu comecei a decidir que não importava o resultado da uems, a minha prioridade seria definitivamente a unesp.
falando em unesp, que faculdade gostosa. andei um pouco pelo campus e era tudo que eu pedia por uma faculdade, mesmo sentindo saudade diariamente da ufms, eu troco uma pela outra sem medo algum (tanto que é o que estou fazendo no momento), não tenho muito o que falar sobre lá apesar de ter muitos gatos peludos e gordos para eu fazer amizade com todos usando o poder de um sachê bem apetitoso, eu acho.
cortando esses assuntos não muito específicos. esse tempo em rio preto foi importante para as minhas decisões pelas pessoas com quem eu conversei e me relacionei, sem dúvidas esse foi um fator que deu o chute final. aprendi de cara o que são amizades, com quem posso conversar e colocar as coisas na balança foi divertido. eu entendi muito do que eu permetia demais e deixava com que passassem por cima de mim. agora, sem medo nenhum de falar sobre isso, porque é algo que mudou o meu coração, foi conhecer o lucas como pessoa para além das telas e mensagens curtas. eu costumava observar de longe o que ele agia na cena e me era bastante interessante, uma admiração sincera, mas trocar conversas verdadeiras, olho no olho, não posso dizer outra coisa se não um choque no meu sistema. tudo meu estava bastante adormecido e, apesar da felicidade em ter um novo lar de verdade, eu ainda precisava de um fósforo para acender toda aquela lenha que estava se empilhando dentro de mim, conversar com ele foi a faísca necessária.
devo muito disso a ele, depois daquela noite que eu tomei coragem suficiente para criar o meu projeto com o mesmo nome desse blog, na intuição de estar de cabeça na cena e, dessa vez, sem medo, com as fotos no estilo que eu gostaria de ver rolando por aí. é aqui que entra outra decisão, por mais que eu ame um blog 100% pessoal, ainda gosto de colocar algumas coisas de fora por aqui, porque o maior motivo por eu ter fechado os meus dois blogs anteriores e aberto só esse, é justamente o fato de eu não suportar o fato de dividir as coisas, ter que ficar pulando de uma para outra e separar o que eu publico quando tudo faz parte de mim e se não fosse eu por trás das câmeras e perguntas que faço, das pesquisas intensas na madrugada, não existiriam metade dessas coisas, então acho que no final ainda vai ser um blog pessoal. afinal, tudo parte de mim, do meu âmago. dou o meu sangue por tudo que faço.
acho que é momento propenso para trazer ishtar na conversa. me arrependo de não ter seguido os conselhos e sopros da grande mãe. sei bem onde ela me puxou a orelha e agora entendo onde errei, quando falei que me entregaria para ela por completo, acabei hesitando em muitas coisas e não ouvindo o que deveria ser ouvido, mas encontrei o mar esse fim de ano. essa é a transição que eu faço de mulher cética para uma maluca dos cristais. a questão é que se eu não fosse amante da natureza e protetora de suas raízes, eu não seria eu, por muitas outras coincidências eu decidi cultuar uma deusa em específico, a ishtar (ou asherah). depois de me ver quase morta por culpa de um homem, quem eu pensei amar, foi quando eu entendi que precisava buscar uma luz e a história dela conectou com o meu ser de forma instantânea, mas eu não busquei a mão dela por tanto tempo que deixei de lado esse meu ponto espiritual, até mesmo os meus baralho estão esquecidos.
até que eu pedi, novamente, que suas mãos caíssem em meus ombros e elas caíram, com o peso de um ano desacordada. minha última decisão veio aí, me conectar novamente ao espiritual, respirar de fora para dentro, de dentro para fora. cuidar de mim como a natureza pede, assim como eu costumava fazer antes de adormecer. talvez eu traga mais postagens sobre esses tipos de assunto, não prometo nada, não sei como serei daqui em diante, mas tenho ânsia de viver. quero ver os dias nascendo, as flores crescendo com todo o meu carinho e poder cultivar um amor que eu tanto pedi aos céus e agora, parece, tenho.
eu deveria escrever o título depois de escrever todo o texto, mas não vou mudar ele. nas outras publicações tentarei fazer isso, não garanto.