não consigo me desfazer de tantas coisas. as memórias são o que me perseguem e moldam quem eu sou, ainda que eu tenha de olhar para coisas que machuquem.
guardo comigo tudo e mais um pouco, é difícil de dizer adeus. tenho o hábito de criar carinho por tudo aquilo que eu ganho de quem um dia eu amei e, talvez, por isso seja impossível querer que aquilo vá embora.
acordo todos os dias olhando para um quadro que eu pensei que odiaria. a memória é amarga e desce queimando a garganta sempre que retorna, depois de um tempo aquilo se tornou parte de quem eu sou e não me vejo sem. é doloroso, mas continua pendurado na parede como uma parte do meu passado e de quem fui.
além de tantas outras coisas. a minha caixa de joias carrega os itens mais valiosos dentro dela, tantas coisas que eu escolhi e ganhei. não penso em deixar para trás nem o menor brinco. no meio de tantas coisas eu tenho uma pequena aliança de folhas verdes que serviu para representar uma promessa, que eu mesma precisei quebrar para poder seguir em frente, é algo que eu deveria ter jogado fora e atirado ao mar quando tive oportunidade, ainda assim continua em meu porta anel, ocupando seu espaço.
algumas camisas que eu pensei em me desfazer acabaram ficando e sendo transformadas em outros modelos. pensei em jogar fora, dar para alguém, ou usar de pano de chão, mas elas são únicas e o único motivo para eu ainda continuar usando é pelas bandas que tanto ficam felizes em ver suas logos nos shows.
ainda penso se deveria me desfazer dessas memórias, mas elas são o que me fizeram ser eu.
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